segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Birras!

Sonhei tanto ser mãe... Imaginei cada momento de uma gravidez, de um parto... o chegar a casa, entrar no quartinho forrado a azul, com o cheirinho a bebé impregnado em mim, nas paredes, na cama, no ar...
Acreditei sempre, em cada momento, que seria a melhor mãe do mundo, ia pelo menos tentar sê-lo todos os dias... li e reli cada livro, cada revista, daquelas onde nos ensinam a ser pais, onde pedo-psiquiatras entendidos colocam o que acham comum a todas as idades. Sentia-me grata por haver tanta informação, que isto de ser pais longe da família tem muito que se lhe diga e "aquilo" dava-me uma maior segurança...
Hoje em dia, grande parte desses livros, dessas revistas, parecem-me cada vez mais fábulas encantadas, com fins mágicos ( e surreais), em que tudo acaba sempre bem, todos os meninos são "bem comportados" ou ficam, depois de ir ao castigo (1 minuto por cada ano de existência..não mais!)... portanto uma fórmula igual para todos, como se fossem robots sem vida própria...
Hoje, cada vez mais, apercebo-me que "comportamento" depende muito do ADN que está dentro deles (Sim, eu também não fui uma santa, mas papá...!!!)... digo-o com conhecimento de causa, depois de cerca de um ano e meio de BIRRAS quase diárias, sim... BIRRAS em Caps Lock, porque não são meros choros, contrariedades ou frustrações mal resolvidas... são GRITOS que fazem com que os nossos tímpanos batam palmas de felicidade por terem ficado surdos, são demonstrações de sabedoria que por vezes já chegaram a demorar uns bons 40 minutos, em que não há colo, mimo ou conversa,castigo ou punição (que palavra horrível!) que nos valha... Sim, desde que entrámos nos 3, descobrimos que não há ninguém que nos valha a não ser nós mesmos.... ah! e esperar que seja uma fase (Sim, já nos enganaram com essa dos 3...ainda esperei que quando ele soprasse a vela daquele bolo do Jake e os Piratas passasse...mas... NOP... SURPRESA!!! Não é assim!!!)... Cheguei à altura de fazer as minhas próprias conclusões a esta altura do campeonato (que ainda nos falta um longo caminho, eu sei...):

1º - Há pedo-psiquiatras para todos os gostos e para todos os PAIS (Alguns acertam em algumas coisas, mas falham em tantas outras)
2º - As birras tendem a piorar a cada ano que passa (sim, é verdade);
3º - Ignorar só funciona para alguns (Isso é que era bom!)
4º - Depois de uma birra, há um momento de calma, em que por vezes consegues conversar e perceber o porquê dela...
5º - Não se conseguem evitar, porque raramente se percebem (pelo menos no caso dos meus...)

O truque é respirar (Inspirar... ... expirar). Contar até 3. (Inspirar... .... ... expirar...) Contar até 10. Depois ir lá. Abraçar. Deixar chorar. Perceber o momento certo. Pode demorar. PODE DEMORAR MESMO.. Questionar. Abraçar. Um dia vai acabar por passar...
Aqui por casa por vezes funciona... temos dias... se era esta a maternidade com que sonhava? Não de todo... Mas que é um desafio maior que o que imaginava... Sem dúvida... e eu...bem, sempre adorei desafios...
Ao mesmo tempo... tenho tanta sorte... tenho dois meninos lindos e meigos, carinhosos... se não tivessem a outra parte... não teria o mesmo sabor...

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Maternidade...

Descobri que o colo não tem idade, que não tem tamanho e que acolhe em simultâneo mais que um filho.
Descobri que os beijos deles são a cura para os meus males e os momentos mais felizes do meu dia.
Aprendi que fazer puzzles no chão pode ser muito divertido, tudo no chão pode ser mais divertido...
Descobri que mimo não existe em demasia, não se é mimado, é-se amado... se se ama mima-se. ponto.
Descobri, que o tempo passa mais depressa desde que eles nascem, os momentos que estou com eles voam...
Aprendi que nem tudo tem solução, nem tudo dá para mudar e muitas coisas temos que aceitar como são.
Descobri que o som mais lindo do mundo é o som das gargalhadas deles, ou ouvi-los chamar mamã...
Descobri que por mais cansada que esteja, quando não estão ou já dormem... a casa fica tão vazia...
Aprendi que nada mais importa, desde que eles estejam bem e felizes...
Descobri que mesmo naqueles dias em que só apetece colocar a cabeça debaixo da almofada, um sorriso deles muda tudo.
Descobri que os meus braços são grandes o suficiente para abraçar os dois ao mesmo tempo...
Aprendi que dançar na rua não é fazer figurinhas, é ser feliz e não se importar com mais nada.
Descobri que chegar a casa é o momento mais feliz do meu dia, nada o supera.
Descobri que andar na rua e pisar poças pode ser mais divertido que ficar no sofá a ver um bom filme...
Aprendi todas as músicas de ninar possíveis e imaginárias para lhes cantar, e ficam na minha cabeça todo o dia...
Descobri que é divertido saltar num insuflável e que um mero peluche pode ser mais que um simples peluche, mas um amigo...
Descobri que o amor entre irmãos nasce no primeiro momento em que se olham, por mais brigas que aconteçam nunca mudará...
Aprendi que vale tudo por um filho, não se desiste de um filho...
Descobri que sou muito mais feliz desde que sou mãe. ponto.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Tatuagem

Há 5 anos atrás escrevia este texto num cantinho que alimentava quase diariamente...uma cantinho que visito sempre que preciso renovar a esperança ou relembrar apenas...

Várias vezes pensei em desistir, em parar de sonhar, a vida tantas vezes foi injusta para nós...
Percebi que para te ter, jamais podia desistir, lutei com quantas forças tinha, a infertilidade não é uma doença fácil, e tantas há que sofrem bem mais que eu, que esperam anos pelo seu milagre, sem garantias...
Ter-te dentro de mim é uma conquista, mas não é fácil, continua a não ser fácil... os medos são tantos que não me deixam viver uma gravidez plena, é o medo da próxima consulta, de na eco não estar tudo bem, de o médico me acabar com o sonho... enfim, medo de tudo... sei que estamos ainda no começo, mas deixa-te ficar comigo por favor, meu pequeno Raio de Sol...já te amo tanto...

5 anos depois, não tenho um, tenho 2 presentes que a vida me deu, agradeço todos os dias por esta dádiva... A Infertilidade ficou em mim qual tatuagem, marcada para sempre, ainda dói, sempre que algo me faz lembrar, sempre que vejo alguém passar pelo mesmo, é uma ferida aberta que não sei se algum dia fechará... no entanto, hoje sinto e sei que esta tinha que ser a minha história, a NOSSA história, o nosso caminho... Hoje sei que estes tinham que ser os nossos filhos, estes e nenhuns mais, e tudo se encaixou por fim...