segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Tempo para nós...
Existe um mundo. Um só. Mas existem várias formas de ver o mundo, de o explorar ou de passar por ele apenas… Eu… tenho dias. Tenho dias felizes, menos felizes, mas em todos eles há sempre um momento, aquele momento, que faz girar o mundo, em que sentes mesmo a terra a girar, onde guardas algo para ficar em ti para sempre ou mudas uma forma de pensar, de estar, onde conheces alguém que muda o brilho dos teus olhos ou tens uma conversa que recordarás para sempre… enfim… cada minuto pode significar tanto ou tão pouco… depende de nós…
Eu escolhi ser mãe. Escolhi ser mãe ainda antes de conhecer o pai dos meus filhos. Já sabia que esse seria o meu caminho. Não podia ter escolhido melhor… encontrei um companheiro... fizemos um longo caminho, com muitas batalhas pelo meio, vencemos todas…
Hoje, temos 2 filhos, nossos, tão NOSSOS… a vida gira em torno deles, cada minuto, sem descanso… o relógio vai rodando os ponteiros que giram cada vez mais depressa… depressa demais… perco-me no embalo dos seus sonhos, nas músicas de ninar, nos abraços apertados com cheirinho doce, nos sorrisos e gargalhadas contagiantes, nas birras exaustivas que nos tiram do sério e que normalmente terminam num abraço apertado entre soluços…
E porque escolhi ser mãe, apercebo-me que cada vez mais lhes dedico menos tempo... esta vida que corre a um ritmo alucinante, esta montanha russa de horários, escolas, almoços, jantares, banhos e tantas outras coisas, rouba-nos o TEMPO, aquele tempo de qualidade, em que brincas sem TEMPO, em que te dedicas completamente a tudo o que a eles diz respeito... e onde se aprende tanto...
Hoje de tarde, porque a escola fechou, pude aproveitar o meu menino grande... Entre o pedir o almoço, almoçarmos e passearmos um pouco perdi a conta às vezes que me disse: "Gosto de ti mamã!" Cada vez que ele o dizia, o meu coração encolhia-se num espasmo... Sim, sei que desde que o mano nasceu o tempo para estarmos só nós dois tem sido curto... o trabalho rouba-me tanto da paciência que deveria ter para eles e impossibilita-me mesmo de os acompanhar como queria, como tanto sonhei... senti-me triste... Dos melhores anos da vida dos meus filhos eu perco tanto...
Planos de mudança, sonhos de vida entram-me na mente em segundos, quero mudar, preciso mudar, numa urgência que a razão não permite, sinto-me atada de mãos e pés, mergulhada num mar de sonhos a aguardar que a maré me leve a bom porto...
Preciso mais, preciso tempo para olhar as borboletas no jardim, para cheirar a rosa do terraço, para ouvir a música das estátuas da avenida, para rolar no chão atrás deles, para ler e reler as histórias que aqueles olhos brilhantes me pedem, para ouvir vezes sem contas as gargalhadas que ecoam nos meus ouvidos até quando não estou com eles, preciso de TEMPO... tempo para ser a MÃE que tanto sonhei ser um dia, e poder retorquir-lhe que o amo sem sentir aquele amargo da culpa na boca...
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